Vera Cruz - RS, quarta-feira, 26 de junho de 2019
Publicado 06/04/2019 » Geral
Trabalho de legista exige o emocional
Fonte: Jornal Arauto

O momento, muitas vezes, é de dor para a família. De tristeza pela partida de alguém ou pelo sofrimento após um crime, na maioria sexual. Mas quem está do outro lado, os médicos legistas, precisam ser profissionais, imparciais acima de tudo. Atuar no Posto Médico Legal, conta o coordenador da unidade de Santa Cruz do Sul, Eduardo Gröhs, é desafiador. “Existe a perícia de alta complexidade, que tu vai identificando novos vestígios só no momento que dá início a ela”, explica ele, dando como exemplo a necropsia em um cadáver cuja morte teria sido provocada por um afogamento, mas que durante o trabalho percebeu que ele tinha projetis de arma de fogo pelo corpo. “Muda tudo e estamos aqui para trabalhar pelo laudo correto, pois ele será parte do inquérito que a Polícia formata e depois envia para a justiça”, observa.

Mais do que a realização de necropsia, necessária em qualquer situação violenta ou com suspeita de violência, os legistas realizam outras perícias, principalmente as de lesão corporal ou violência sexual. “Perícias que envolvem suspeitas de abuso são as mais complicadas. Você precisa ter certeza do estupro para colocar no laudo. E casos deste tipo de violência são comuns, frequentes”, conta o médico, que diz precisar lidar muito com o lado emocional das famílias para não ser induzido a um equivocado diagnóstico. “Aqui, você precisa ser o mais preciso possível e imparcial”, frisa Gröhs.

Aliás, lidar com os familiares é outro desafio. Quando da morte de alguém, cita o médico, a maioria dos parentes quer a realização do velório e do sepultamento o mais rápido possível, mas esquecem – e muitas vezes desconhecem – a legislação. Entre as regras está a realização da necropsia somente seis horas após o óbito e não com uso apenas de luz artificial (à noite, no caso). Isso significa que se ocorrer morte violenta por volta das 17 horas, a necropsia será feita apenas no dia seguinte, já que é preciso esperar seis horas e contar com a luz do dia. “Muitos não sabem destas leis e pressionam o PML ou falam que o PML está demorando. Não está correto”, explica o médico, que diz que a profissão exige “formação adequada, conhecimento, dedicação, constante atualização e preparo emocional para as situações, sobretudo porque envolve violência e questões humanas desagradáveis”, arremata Gröhs, que comemora no domingo, dia 7, junto dos colegas Silvano Hernandorena e Felipe Esposito (que atuam em Santa Cruz) e Mário Both e Marcelo Weiss (que dividem escala, trabalhando em Cachoeira do Sul), o Dia do Médico Legista.

Eduardo Gröhs é medico legista e coordena o Posto Médico Legal de Santa Cruz do Sul (Foto Lucas Batista/Jornal Arauto)






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