Vera Cruz - RS, terça-feira, 19 de novembro de 2019
Publicado 21/06/2019 » Geral
“A Copame me escolheu”
Fonte: Jornal Arauto

Eles não estão no ambiente familiar de sangue, mas têm uma família enorme de coração. Os cerca de 40 atendidos pela Associação Comunitária Pró-Amparo do Menor (Copame), em Santa Cruz do Sul, tiveram seus direitos violados e hoje vivem em um espaço onde compartilham ensinamentos, amizades e muito carinho. Basta chegar à instituição, localizada na rua Amazonas, 850, no bairro Bom Jesus, para notar o amor que sentem pelos colaboradores e voluntários. Roberto Gross, de 50 anos, é presidente da entidade. Ampara os que ali estão como se fossem seus filhos. Não consegue deixar de brincar, nem que seja por alguns minutos, principalmente com os pequenos, que adoram um momento de atenção.

Sua relação com a Copame iniciou em 2011, a convite do amigo Léo Schwingel. Desde lá, não se distancia da entidade. “Não é você que escolhe a Copame, é a Copame que escolhe você. Isso é impressionante, chega a me arrepiar”, diz. “Muitas e muitas pessoas tentam entrar aqui, às vezes por questão de compensação pessoal, projeção política, mas não tem. Ela é tão soberana, suprema, que faz um filtro”, sublinha ele, que diz sair aliviado em cada visita ao local. “Estando aqui, tu percebe que teus problemas são tão pequenos. Gosto de dar como exemplo: ‘se tu está ruim, reclamando das coisas da vida, visita o Hospital Ana Nery, no setor de câncer, vem aqui na Copame, vai te sentir bem melhor’”.

Todos que ali estão foram retirados dos pais ou dos responsáveis legais após determinação judicial. A maioria dos casos, segundo a supervisora técnica da Copame, Deise Lamb, por envolver o consumo de entorpecentes e a violência. “Então, até que a família consiga se reestruturar, as crianças devem ficar aqui”, conta. E o desejo é justamente que a criança faça da Copame um lar temporário. “É muito relativo o tempo que cada um fica. Depende de uma série de coisas”, acrescenta.

Enquanto se aguarda uma nova decisão do Judiciário, cabe aos voluntários, colaboradores e a diretoria da Copame, capitaneada por Roberto, a manutenção do espaço. “O que me dá satisfação é ver o trabalho desempenhado, sobretudo na atuação dos colaboradores. Todo dia tu vê um crescimento neles. Eles não fazem um atendimento de forma obrigatória. Eles vêm porque gostam”, diz. “Então, estamos criando a cada dia um melhor ambiente de trabalho para que esses cuidadores, bem acolhidos, consigam ser bons acolhedores. Porque se eu botar pressão, eles não vão acolher bem. Isso é o que me motiva: ver que estamos acertando”, observa.

O que também alegra o presidente é que embora as crianças tenham inúmeros problemas familiares, o sorriso não sai do rosto e mostra que estão bem. “Essa é a cena quando elas chegam de volta da aula. É bonito de ver o retorno para a Copame, a casa deles”, diz. Desde a fundação da entidade, em 1984, já passaram 1,9 mil crianças. Quando completam 18 anos, elas estão livre para o mundo. Segundo Roberto, teve uma mudança estatutária no ano passado, fazendo com que a Copame ficasse com adolescentes até atingirem a maioridade. Até então, a entidade atendia crianças até 12 anos, quando eram encaminhadas a um abrigo. A decisão vai ao encontro de proporcionar uma sequência no atendimento. 

A matéria na íntegra está na edição do Jornal Arauto desta sexta-feira.

Crianças abrigadas na Copame aguardam a visita de Roberto, que doa tempo para brincadeiras e carinho (Foto Lucas Batista/Jornal Arauto)






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